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Dal Brasile riceviamo e pubblichiamo (Dom Leonardo Steiner: CPT Nazionale- BR)

Creato il 22 maggio 2020 da Marianna06
Dal Brasile riceviamo e pubblichiamo (Dom Leonardo Steiner: CPT Nazionale- BR)

"Vivemos numa situação muito difícil, hoje não existe possibilidade de

diálogo", afirma Dom Leonardo Steiner

A Semana Laudato Si' esta provocando reflexões, que tem como base a

encíclica do Papa Francisco, que agora completa 5 anos. Nessa dinâmica,

o Movimento Católico Mundial pelo Clima, junto com o Instituto Clima e

Sociedade e o apoio do Instituo Humanitas Unisinos - IHU, promovia neste

20 de maio uma reflexão sobre tema, que teve por título: "A ecologia

integral em tempos de coronavírus e crise climática".

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

O encontro virtual contou com representantes do mundo científico e

eclesial, Atila Iamariano, biólogo, Carlos Nobre, cientista

especializado em clima e Amazônia, que tem dedicado 40 anos de sua vida

ao estudo da Amazônia, e foi um dos peritos do Sínodo para a Amazônia, e

Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus. Como afirmava a

mediadora do evento, Cleusa Andreatta, irmã da Divina Providência e

professora da Unisinos, Laudato Si' nos mostra que a crise global que

estamos vivendo, ela é possível enfrenta-la, nos oferece orientações,

nos ajudando a perceber a relação entre crise ambiental e ecológica, e

Nesse sentido, ele afirma que "a Covid é um infeliz treino para saber

como lidar com esse tipo de problema que tende a ser cada vez mais

recorrente". Essa situação leva Atila Iamartino a dizer que "não podemos

continuar considerando os recursos naturais de uma maneira impensada,

como se eles estivessem todos a disposição para servir o ser humano".

Com a Laudato Si', "a Igreja, que sempre foi antropocêntrica, começa

enxergar que o ser humano não pode ser visto de forma diferente do resto

das especies do Planeta", afirmava Carlos Nobre. Ele considera isso como

uma enorme evolução, até o ponto de que, segundo ele, "Laudato Si'

mostra como com nossas ações humanas estamos desestabilizando o clima do

planeta e as consequências que isso poderia trazer".

Carlos Nobre alerta sobre os perigos para uma Amazônia ameaçada pelo

desmatamento, o que provoca a ruptura da evolução natural, da umidade

natural que impede os incêndios. Isso provoca o risco de savanização da

Amazônia pelo desmatamento, as queimadas e o aquecimento global, afirma

Nobre, que vê o ponto de não retorno como algo muito próximo, momento

que vai provoca que não vamos ter como mudar. A consequência pode ser

"uma enorme fuga de micro-organismos provocando pandemias surgidas da

Amazônia". Por isso, para preservar a Amazônia para cuidar do clima e da

saúde humana, se faz necessário zerar o desmatamento e um novo tipo de

agricultura regenerativa, propondo a restauração florestal como caminho

de lutar contra as mudanças climáticas.

Estamos vivendo um momento que, segundo o arcebispo de Manaus, Dom

Leonardo Ulrich Steiner, nos mostra que "Laudato Si' é um texto que se

torna mais importante do que 5 anos atrás". Ele considera que "o

elemento fundamental da Laudato Si' é a relação, não apenas

interpessoal, mas na sua totalidade, o texto nos faz perceber que tudo

está em relação". Nesse sentido, Dom Leonardo vê os povos indígenas como

aqueles que "têm esse elemento relacional com a totalidade", afirmando

que "o texto nos questiona nosso modo de destruição, de convivência,

nosso modo agressivo, não apenas entre nós, mas também em relação à

natureza, tendo como base a relação de Francisco de Assis com toda a

natureza", que ele chama de irmão e irmã.

Em Laudato Si', o Papa Francisco, segundo o arcebispo de Manaus, faz uma

hermenêutica diferente do texto do Gênesis, afirmando que chama a não

dominar, e sim cuidar e cultivar, imagem do cuidado da mãe para com os

filhos. O texto ajuda a mudar a visão antropológica do homem como

centro. O arcebispo, desde o conceito de pensamento calculante, de

Heidegger, afirma que nós calculamos, numeramos tudo, e quando tudo se

torna número deixa de ter rosto. Isso nos desafia a deixar de lado um

pensamento mecânico, que pode nos ajudar a entender a devastação da

Amazônia como pensamento calculante, que não pensa no bem de todos, nem

da casa comum, que deve ser entendida como patrimônio comum, desde um

sentido social. Segundo ele, não podemos individualmente destruir,

porque é de todos, também dos micro-organismos, dos animais, das

plantas.

O texto pede de nós, afirma Dom Leonardo, educação e espiritualidade. A

educação deve nos levar a despertar para a beleza, as relações, a

totalidade, admirar a grandeza e não destruir nossa casa comum,

promovendo cuidado. A espiritualidade mostra a força do espírito, que se

deixa tomar pela força do criador, sermos irmãos de todos, nos abrirmos

à graça de ser filhos e filhas de Deus, que nos leva a descobrir que os

seres não precisam de nós, afirmando que "o mundo continuaria sem a

nossa presença". Isso deve levar a nossa Igreja a retomar a Laudato Si',

algo que espera o arcebispo, pois esse foi o texto mais citado na COOP

Um elemento importante, que segundo Carlos Nobre não pode ser esquecido,

é que "a ciência moderna mostrou que a Terra tem limites". Ele denuncia

que os negacionistas são comprados por empresas ligadas com combustíveis

fósseis e o agronegócio, "inúmeros estudos provam que o aquecimento se

deve à ação humana". Por isso destaca que o grande potencial da Amazônia

é a produção autosustentável, a floresta em pé, buscar energias

Tudo o apontado em Laudato Si' teve influencia em Querida Amazônia, a

exortação de um sínodo que o Papa definiu como filho da encíclica.

Querida Amazônia, afirma Dom Leonardo Steiner, traz elementos vitais

para a Igreja na Amazônia, para as culturas, para os povos originários

na Amazônia, envolvidos em estruturas políticas deterioradas, que não

olham para o bem comum. Desde aí, se faz necessário que a consciência

ecológica seja trabalhada na Igreja, algo a ser feito, segundo o

arcebispo, que o vê como um trabalho longo, uma verdadeira educação, não

só com o clero, com todos, algo que se faz devagar, semeando, até o

ponto de afirmar que Laudato Si' é um texto para ser estudado durante 50

anos.

O Brasil vive um desmonte de direitos, segundo Dom Leonardo, que

denunciava que o atual, "não é um governo que está preocupado com os

pobres, não é um governo que está preocupado com os povos indígenas, a

FUNAI hoje está entregue a pessoas que não tem nenhum cuidado em relação

aos povos indígenas". A mesma coisa acontece com o Ministério do Meio

Ambiente, o que leva o arcebispo a dizer que "vivemos numa situação

muito difícil, se antes existia possibilidade de diálogo, hoje não

existe possibilidade de diálogo. O dialogo que se propõe é você aceitar

uma ideologia, uma ideologia que é dominadora, uma ideologia que mata,

uma ideologia que divide".

O arcebispo de Manaus, a principal cidade da região, afirma que "a

Amazônia, o meio ambiente está entregue em mãos de gente que não quer

entender de meio ambiente, a FUNAI está entregue em mãos de pessoas que

não querem cuidar dos povos indígenas", mostrando sua preocupação com os

povos isolados, que em pouco tempo não vão ter mais casa para viver. Dom

Leonardo tem afirmado que "eu espero que não tenhamos por muito tempo um

governo que trate desse jeito o meio ambiente, nossa casa comum, e trate

desse jeito nossos povos indígenas".

Mas, segundo o arcebispo, "nós somos pessoas de esperança, nós

continuamos a fazer nosso trabalho, nós continuamos a animar nossas

comunidades, nós queremos levar esse texto da Laudato Si' e Querida

Amazônia para todos", concluindo dizendo que chegou o tempo de nós

começarmos a proclamar a fraternidade, que tem a ver com respeito, com

acolhida, com esse modo de convivência na diferença, sermos muito menos

agressivos, muito menos pedantes, perdemos a humanidade.

a cura di Marianna Micheluzzi (Ukundimana)


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